No curso de Teologia de Umbanda Sagrada com o Alexandre Cumino (clica!), foram abordadas na primeira aula as diferenças entre a Umbanda e o Candomblé, uma vez que são religiões beeeeem diferentes. Enfim, meu intuito não é falar sobre o Candomblé, como religião, pois não a conheço muito para tal, mas sim, apontar as principais diferenças entre as duas religiões, já que essa é uma das principais dúvidas de qualquer médium iniciante (oi!) e até mesmo de outros religiosos, e é algo que, por ter aprendido, posso comentar.

É importante começar lembrando que o Candomblé não é uma religião africana, mas sim de matriz africana, o que é diferente. Isso porque (e agora vem um lembrete das aulas de história), antes de serem escravizados, os africanos possuiam religiões e cultos diferentes conforme as regiões. Por exemplo, existia a nação Nagô e a Gêge, na África, que possuiam culturas diferentes. Ocorre que naquela época existiam muitas guerras entre nações, Nagô era inimiga de Gêge, e a cada guerra, quem vencesse, escravizava a outra nação. E então, o europeu (que se achava todo esperto) comprava esses escravos (por meio do escambo) e vendia para os responsáveis pelo desbravamento das terras tupiniquins. Com o tempo, os europeus perceberam que financiar essas guerras gerava mais lucro e a própria Igreja Católica investia recursos nessas batalhas, com o argumento de que assim poderiam salvar as almas dos negros, pois naquela época muito se dizia que negro não tinha alma.
Por serem de nações diferentes, cultuavam também Deuses e Orixás diferentes, mas quando escravizados no Brasil, e por sua vez, catequisados, se viram obrigados a desenvolver alguma forma de culturar seus Orixás sem que seus senhorios percebessem.
E assim inciava o Candomblé (principalmente na Bahia), onde o negro de uma nação, que cultuava Oxóssi (por exemplo) e o negro da outra nação que cultuava Ogum, estavam juntos, ambos escravizados e não podiam exteriorizar suas culturas, crenças e tradições. Então, quando queriam sentir o axé dos seus Orixás, cantavam e dançavam (e incorporavam) em frente a um altar cheio de imagens de santos católicos. Aqui nasceu também o sincretismo, onde o negro cultuava Iansã por baixo da imagem de Santa Bárbara, já que a Igreja insistia em catequisá-los. Desde aquela época até hoje, a religião se viu obrigada a se adaptar às imposições religiosas (a religião oficial do Brasil era a católica até 1889) e culturais do nosso País.
Então essa é a primeira diferença entre a Umbanda e o Candomblé. Nós sabemos que a Umbanda foi fundada pelo Caboclo 7 Encruzilhadas, por meio do médium Zélio Fernandino de Moraes, em 1908, e a situação foi completamente diferente do Candomblé,
A segunda diferença ocorre na incorporação. Se na Umbanda é a entidade quem trabalha, dá passe e consulta, no Candomblé isso não acontece, pois somente incorpora o Orixá, e quando há consulta acontece pelo médium por meio do Búzios.
No Candomblé, as incorporações acontecem em festas de Orixá. Ou seja, se hoje tem uma festa para Iemanjá, então o Orixá Iemanjá quem incorpora, e ela só o faz para dar o seu axé. Ela não fala, somente “desce” para dançar e dar o seu axé. E também as incorporações são de forma circular. Os médiuns giram em volta da firmação do terreiro que está bem no centro. Dessa forma, as consultas com o Pai de Santo são marcadas para outro dia, em que ele irá atender por meio do jogo de buzios.

Na Umbanda, as incorporações acontecem de frente para o Altar, e as entidades vêm em terra para dar passes e consultas. Eles dão o seu axé, trabalham, encaminham espíritos e energias… estão o tempo todo trabalhando.

A terceira diferença principal é referente ao sacrifício de animais. Nós já falamos sobre a visão da Umbanda sobre o ato, você pode ler aqui e aqui.
Bom, no Candomblé há o sacríficio (porém, existem alguns barracões que não fazem o ritual) de animais, principalmente nas obrigações dos médiuns e nas festas dos Orixás. Entretanto, no candomblé, o animal que será sacrificado é criado exclusivamente para isso, não é um animal ‘qualquer’. Também não cabe a nós julgar se isso é correto ou não, uma vez que se trata de uma religião, cultura e tradição. Como disse o Alexandre Cumino na video-aula de Teologia: “se a nós usamos bolsa de couro, calçados de couro, se comemos carne, então não estamos preparados para falar a respeito do sacrifício de animais“.
E, para finalizar, a quarta diferença principal da Umbanda e o Candomblé, é que nessa segunda o médium, para continuar sua caminhada como Babalorixá (pai de santo), precisa fazer suas obrigações. São 7 obrigações e 7 anos para a última. Nessas obrigações, omédium precisa fazer preceito, se recolher numa sala dentro do espaço do Barracão destinado a isso e se preparar física e espiritualmente para os rituais.
Diferente da Umbanda, em que o médium pode ser consagrado Pai/Mãe de Santo de acordo com o tempo determinado pela Espiritualidade e de acordo com a sua missão. Temos sim alguns preceitos, mas são completamente diferentes do Candomblé, assim com a finalidade deles.

Bom, é isso gente. Espero ter esclarecido um pouco sobre as diferenças entre essas duas religiões. É claro que existem mais pontos a serem considerados, mas isso é assunto para uma segunda parte. Vou estudar mais sobre o assunto, e quando estiver com um conteúdo bacana, faço a continuação.
Para quem quer entender um pouco mais sobre o Candomblé, tem um documentário publicado no Youtube, que trata o assunto com seriedade e entrevista pessoas que possuem conhecimento sobre o assunto. Você pode clicar aqui para assistir ao vídeo.
Saravá irmãos!


Deixe uma resposta