É lendo que se aprende. E foi lendo o icônico livro “Tambores de Angola” de Robson Pinheiro, que me dei conta de como o post sobre o ‘não-uso de sangue na Umbanda está incompleto. Portanto, vou postar aqui alguns trechos do livro que explicam detalhadamente o que acontece quando uma pessoa faz uso de sangue nos rituais espirituais.

Primeiramente é explicado no livro que, quando há o sacrifício de animais, atraem-se energias pesadas e entidades primitivas que se alimentam do energismo, como vampiros. Conforme o médium alimenta essas entidades com essas energias e fluídos vitais de animais sacrificados, estreita-se um laço de união e dependência, resultando em uma “egrégora doentia, mórbida e de baixíssima vibração.” O autor ainda explica que é a partir desse momento que se inicia a magia negra, que provoca vítimas pelo mundo inteiro.
“Mas o processo não termina aí. Quando o tal filho-de-santo desencarna, encontra-se prisioneiro dessas entidades que se manifestam como santos ou orixás; passa a ser presa deles nas regiões pantanosas do além-túmulo. […] Às vezes por aos ou séculos, mantêm-se prisioneiros nas garras de entidades perversas e atrasadas, que, quando encarnados, alimentaram com o sangue de animais inocentes, submetendo-se a essas e outras exigências esdrúxulas de espíritos que deles se aproveitaram.”
(PINHEIRO, Robson. Tambores de Angola, p. 202).
A explicação ainda continua, quando é enfatizado que essas entidades perversas continuam se alimentando da energia vital mesmo quando o médium desencarna. Em que esses espíritos, quiumbas, ficam ligados a essas almas e passam então a perseguir os restos mortais.
“Quando desencarnam seus alimentadores (seus filhos, como eram chamados), essas entidades passam a frequentar sua sepultura e, não raras vezes, permanecem ligados aos despojos carnais em putrefação, quando são vampirizados por aqueles a quem serviam em vida. São perseguidos então, e seus restos mortais passam a ser repasto dessas entidades que antes consideravam santos ou escoras.”
(PINHEIRO, Robson. Tambores de Angola, p. 206)
Por existir o livre-arbítrio, os mentores espirituais desses médiuns não podem interferir nessas ações. “Eles têm, na Terra, as vozes da Umbanda e as orientações do espiritismo, mas, se não quiserem ouvi-las, somente os séculos de dores e sofrimentos em futuras reencarnações, ou nos pântanos do mundo astral, é que farão com que acordem.”
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Recomendo a leitura do livro Tambores de Angola, que é simplesmente fascinante e muito esclarecedor. Em breve farei uma síntese aqui no blog a respeito dele e do livro “O Guardião da Meia-Noite” do Rubens Saraceni, que também traz explicações importantíssimas.
Saravá!!!


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