Hoje eu celebro 15 anos desde o dia em que vesti o branco pela primeira vez. Me lembro claramente da gira e da sensação de expectativa e ansiedade enquanto me preparava para ir ao terreiro. Naquele tempo (falando assim me sinto tão bíblica rs), a descoberta da mediunidade me caiu como uma grande e grata surpresa. As giras aconteciam aos domingos na casa da Vó Helena, (descobri recentemente que é o primeiro terreiro de Umbanda fundado em Curitiba), lá no Bacacheri, um bairro bem distante de onde eu morava com meus pais. O terreiro era pequeno, velho, simples, com muitas (muitas mesmo) imagens de santos, Caboclos, Pretos Velhos… havia uma salinha com muitas velas firmadas ao lado da área da consulência, pois a Vó Helena (uma senhora brava que peitava Exu quando estacionavam carro na frente do portão da casa dela) era uma benzedeira bem procurada na região e ali ela fazia suas rezas…

No começo eu tive apoio da minha madrinha, Tia Rita, que me emprestou uma apostila para eu aprender o básico, que me ensinava o que eu tinha que fazer durante as giras, do por quê de cada coisa. Tive muito acolhimento e fui desenvolvida pelo S. Jaci, que foi meu primeiro Pai de Santo, que junto do S. João Caveira ajudou, e muito, a mim e à minha família. Com ele fiz também meu primeiro (e único até então) grau de Magia Divina, e foi a partir do seu apoio que eu comecei a estudar sobre a doutrina da Umbanda Sagrada, com cursos no Umbanda EAD, inúmeros livros do Rubens Saraceni, Robson Pinheiro entre outros comprados no Sebo que ficava ao lado do prédio onde eu trabalhava na época. E foi quando iniciei os estudos que senti vontade de criar esse blog, como uma forma de eu registrar e compartilhar o que estava aprendendo, vivenciando, experenciando em tudo o que se relacionava à Umbanda.

Nesse tempo, muita coisa aconteceu e mudou. Saí do terreiro onde iniciei minha caminhada, passei pelo terreiro do meu primo Maikon, mas depois de me mudar pra outra cidade, fiquei alguns anos fora, frequentando para tomar passe, descarregar ou obter algum conselho… Até que encontrei a Tenda do Pai Sete e me apaixonei pela gira e pela Mãe Nelly, uma mulher de muita fibra, disciplinada, dedicada e carinhosa. Com ela, aprendi a olhar a Umbanda pelos detalhes, comecei a observar as flores que estavam no altar da vida e nelas entendi um significado mais profundo no capricho de se fazer as coisas pelos Guias e Orixás. Mãe Nelly me inspirou a poesia, a reza rimada, os pontos cantados compostos pelo coração. Nessa rápida passagem que tive em sua gira (foram três anos como médium em sua corrente), tive a oportunidade de fazer o curso de Benzimento antes da pandemia, e realizar um desejo que eu tinha há anos de aprender a bendizer.

E então, a Gabi e o Robinson anunciaram que estavam prontos para iniciar os trabalhos no Sete Estrelas, um projeto que eles sonharam e que eu sonhei junto e torci o tempo todo para que acontecesse. Quando o Sete Estrelas nasceu, no dia 18/01/2022, eu tive a mesma sensação que senti no dia 01/05/2011. O frio na barriga, a expectativa, a felicidade. Era um grande reencontro para todos nós e eu me sentia animada.

Eu nunca larguei os livros nem os cursos, sempre senti que precisava aprender mais e mais e mais. Mas então, nos últimos quatro anos, além da busca pela base teórica, os aprendizados foram na esfera humana mesmo. Como alguém que sonhara o projeto junto, agora eu integrava também o grupo do Staff, e com isso, meu olhar precisou ampliar um pouco mais. É o observar da gira, das pessoas, dos comportamentos, das energias, é buscar formas de ajudar a casa a se sustentar financeiramente, é pensar em soluções diante de inúmeros problemas que até então, eu nem imaginava que existiam.

Ano passado, no dia 06/04/2025, fui cruzada como Mãe Pequena. Eu nunca me senti pronta, sempre duvidei da minha capacidade de exercer essa função, tanto porque sempre achei que não sabia o teórico o suficiente, quanto por achar que minha prática ainda é muito pequena diante das necessidades que observo em uma corrente mediúnica. E então novos aprendizados: aqui eu precisei aprofundar ainda mais o autoconhecimento, superar meus sabotadores internos (e externos), exercer minha função sem me deixar levar pelo ego (o bichinho existe viu!) e sigo aprendendo e creio que será assim por todo o tempo até meu último suspiro.

Desde minha primeira leitura até hoje eu repito todos os dias: Em se tratando de Umbanda, quanto mais a gente aprende, menos a gente sabe. Todo dia, toda gira, toda leitura, cada troca com alguém mais experiente ou com aquele que está entrando agora… cada detalhe desse lindo bordado colorido que é a Umbanda, é uma oportunidade de aprender, de expandir o saber, de aprimorar a consciência… e é um privilégio viver tudo isso, aprender mais e mais e ainda assim me sentir aprendiz criança.

Esses 15 anos não me trouxeram respostas para tudo. Pelo contrário, a dúvida fez morada em minha mente e meu coração inúmeras vezes. Mas os Guias no terreiro me ensinaram que a graça está justamente em continuar aprendendo. Em 2011, criei este blog para isso. Em 2026, sigo aqui, com a mesma vontade: compartilhar o que me toca, que me emociona, que me empolga, que me edifica. Porque a Umbanda é movimento. E enquanto houver gira, haverá aprendizado.

Saravá!

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Eu sou a Anne

Umbandista há quase 15 anos, compartilho aqui nesse blog tudo o que eu aprendo na Umbanda, seja com as experiências na religião, seja através das leituras e estudos a que me dedico.

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