Para inaugurar o blog resolvi falar um pouco sobre o não-uso do sangue nas giras de Umbanda. Um pouco antes de eu conhecer a Umbanda, minha madrinha havia comentado comigo que diferente do Candomblé, na Umbanda não há sacrifício de animais nem uso do sangue. Antes que me questionem, eu não conheço o Candomblé para afirmar o motivo do uso, se eles ainda utilizam essa prática ou não. Portanto, abordo somente do ponto de vista umbandista.
Há cerca de duas semanas, ao segurar uma rosa vermelha na mão, me arranhei com o espinho. Imediatamente, uma irmã de fé segurou minha mão a fim de verificar se meu dedo chegou a cortar-se. Como sou médium novo, ele me explicou que tal preocupação se dá por não poder, em hipótese alguma, cair uma gota se quer dentro do terreiro.
No primeiro momento, pensei em perguntar-lhe o por que, mas logo me lembrei do comentário da minha madrinha, e resolvi procurar o motivo por meio de pesquisas. Como ainda não li nem mesmo os livros mais básicos sobre a Umbanda (mas li uma apostila baseada nos ensinamentos de Rubens Saraceni), procurei em alguns sites umbandistas.
Nesse link aqui tem uma afirmação de Exu Serpente. Não verifiquei a autenticidade do site, mas acredito que tal afirmação vai falar mais do que eu mesma possa afirmar:
“Filhos, quem precisa de sangue ou é vampiro ou é sangue-suga, então que tipo de espíritos vocês pretendem alimentar com sangue? Que tipo de espíritos exigem sangue? Coisa boa não há de ser. Espíritos realmente evoluídos não atentam contra a vida, a criação divina. Estes espíritos que estimulam o uso de sangue em trabalhos espirituais são, na verdade, espíritos vampirescos que induzem as pessoas a cometerem este absurdo de maneira muito inteligente. (…) Considerem ainda que não podemos atentar contra a vida do que quer que seja para tentar ajudar o próximo. Atentar contra a vida é atentar contra as leis divinas. Como poderia o Pai permitir que uma vida fosse tirada pelas nossas mãos para que outra fosse salva? Como poderia o Pai permitir que se lhe fosse destruída a vida que Ele construiu? Não estaríamos infringindo a própria lei de Deus? Quem somos nós para fazermos esse tipo de justiça? Se prezamos pela vida e pela natureza como manda a Lei de Umbanda por que tentamos sempre destruí-la em benefício de terceiros (mesmo que seja o próximo)? (…)
Não se deixem levar pelo conhecimento daqueles que o escondem, pois mironga de congá é a cortina que esconde o vazio”.
Com essa citação podemos concluir que não é à toa que não se usa sangue nas giras de Umbanda, mas sim, porque o uso dessa energia não agrega nada de bom. Oras, que tipo de pessoa infringe as leis de Deus e dos homens se não aqueles que chamamos de ruins? O que então acontece quando um elemento que “representa” a vida cái no terreiro. Que tipo de espírito vai querer utilizar a energia dele?
E então, agora eu posso compreender a preocupação da minha colega.
Não é à toa que um assassino é tratado como tal, uma vez que tirar a vida de um irmão (somos todos filhos de Deus, não?) é atentar contra a criação de Nosso Pai Maior, nosso Pai Olorum, Deus. Quando se “derrama o sangue”, o indivíduo vai contra o bem e atrai somente o que há de pior para si. Não é à toa que temos pensamentos tão negativos quando ouvimos no noticiário sobre um assassinato. Não é à toa que há tanta repulsa diante desse ato. Não é à toa que quem mata expõe de si somente o que há de ruim.
Logo, há mais do que um sentido espiritual para não haver sacrifícios de animais ou uso de sangue na Umbanda. Até porque nós sabemos que é importantíssimo manter a energia sempre boa numa gira para que o trabalho possa fluir com equilíbrio, para que as entidades possam realizar seus trabalhos da melhor maneira possível e para que possamos aprender e evoluir. E agora eu posso visualizar isso de uma forma bem mais clara e espero, de coração, que vocês também.


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