Eu preciso contar para vocês como foi a minha experiência na festividade de Yemanjá em Salvador deste ano, porque foi um grande sonho realizado e me permitiu enxergar a espiritualidade e a Umbanda com um novo olhar.
Sobre a Festividade de Yemanjá
Primeiro é válido dizer que a festividade iniciou no dia anterior, em 01 de fevereiro, que neste ano caiu no sábado. Normalmente, as pessoas que tem por objetivo saudar à Mãe Yemanjá, realizar suas oferendas e rituais religiosos priorizam ir no dia anterior porque no dia 02 além de ser muita gente (MUITA mesmo) há muita festa nas ruas próximas à orla do Rio Vermelho próximo à casa do peso (ou casa de Yemanjá).

E quando eu digo festa eu me refiro a um pré carnaval, com muita música, shows e apresentações, instrumentos de percussão, muita bebida, muita muvuca, e infelizmente, muitos furtos e roubos sendo cometidos nesse momento também.
Então, se você está lendo esse post e está planejando ir à Festa de Yemanjá, considere ir no dia anterior ou então pela madrugada. Também procure ir em grupo ou com alguém que possa te acompanhar e não deixe equipamentos ou acessórios e objetos de valor à mostra.

Sobre a Minha Experiência
Bom, mas vamos continuar ao meu relato 🙂
Eu fui no dia 02 mesmo, tinha planos de ir às 04h da manhã pois queria assistir ao alvorecer lá do Rio Vermelho, mas o cansaço de fim de viagem bateu (farei um post em breve sobre minha viagem para a Bahia) e eu acabei acordando às 05h30. No fim das contas, cheguei no Rio Vermelho às 07h da manhã. O Sol já estava à pino e bem forte e já havia muuuuuuuuitas pessoas por lá.
O motorista de aplicativo me deixou no Largo da Mariquita, que fica há uns 2,1km da casa do peso. Isso porque, as ruas próximas à praia ficam fechadas nessa data pelas festividades que ocorrem ali. Então, no trajeto do Largo até a praia fomos andando à pé, e neste caminho tem muita gente vendendo rosas, alfazema, bebidas e comidas. Foi logo no começo em que comprei minhas flores para fazer minha oferenda.

Já na beira da praia é quando a emoção bate forte mesmo. É ali onde os terreiros, o povo de axé, os devotos e os pescadores se encontram para fazerem seus louvores, homenagens e saudações à nossa Grande Mãe.
Eu vi muitas giras de Umbanda acontecendo, uma do lado da outra. E uma coisa me chamou muita a atenção: eu aprendi, em meus estudos, que a Linha de Baianos é mais comum do Sudeste para cá, especialmente do Rio da Janeiro e São Paulo, mas que não encontraria em Salvador essa linha se manifestando no terreiro. Pois bem, meus irmãos, na areia da praia eu vi, pelo menos, umas três giras com Baianos incorporados, dando passe, dando consulta e trabalhando. E eram terreiros da região de Salvador mesmo, não era de fora não.
Também vi muitos sacerdotes, Babalorixás e Yalorixás, Pais e Mães de Santo fazendo benzimentos com as pessoas que passavam por ali. Os benzimentos combinavam ervas e bate folhas, banho de pipoca e uso de sementes. Coisa linda de se ver, e certamente, de receber também.
As Baianas carregam balaios decorados de rosas brancas e amarelas, entre outros elementos ritualísticos, que embarcam nos barcos dos pescadores para levar para alto mar. Eu achei o valor do barco bem bom, um rapaz me cobrou R$15 para me levar, caso eu quisesse. Mas me juntei à enorme quantidade de pessoas que preferiram fazer suas orações e entregas ali na praia mesmo. Achei um lugar com “menos pessoas” e ali me conectei com essa Maravilhosa Mãe.

O que dizer desse momento? Se eu já estava muito emocionada só por estar ali, naquele momento, com tanta devoção ao meu redor, quando eu fechei os olhos, senti a água batendo em minhas canelas e me conectei com Mãe Yemanjá eu me senti tomada por uma força surreal e sutil ao mesmo tempo. Meus ouvidos “se calaram”, eu não ouvia som algum, era como se não tivesse ninguém por ali, somente eu e minha amada Mãe.
O vento batia em meu rosto e enxugava minhas lágrimas e enquanto eu dedicava cada rosa para alguém que amo, pedindo pelas bençãos e pelo axé de Yemanjá, eu sentia meu peito de encher de muito amor e de muita força.
Foi realmente muito especial e intenso. E eu recomendo que, quem ainda não foi para a Festividade de Yemanjá em Salvador, então que se programe e planeje essa viagem, porque valerá muito à pena. Eu penso em voltar daqui alguns anos, mas sei que até lá minha Mãe estará presente em mim, pois assim senti também.



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