Uma das grandes satisfações que tive neste começo de 2019 foi receber, com muito carinho, o livro de Marília Barga, Grilhões do Amor, que traz uma mensagem sobre fé, amor, resiliência e evolução (entre outras coisas – divinas – mais) inspirada pelo espírito de Emanuelli Alcântara.

Não há como negar a comoção já no início, onde é possível entender sobre o que está nas próximas páginas, mas inimaginável tanto sentimento vivido pelos personagens e que desperta em nós também.

Grilhões do Amor

O livro conta a história de Beatriz e Bento, nos tempos da escravidão no Brasil, e de como suas vidas se entrelaçam ao pé em que crescem, amadurecem e passam a entender a diferença entre eles, em que, ainda que o amor possa dizer o contrário, os mantêm separados.

Beatriz é um personagem marcante e totalmente diferente das mocinhas que comumente encontramos nos romances. Ainda que seja sinhá, filha de um fazendeiro próspero, sua posição resistente e opositora aos valores da sociedade da época relatada nos apresenta uma contundente forma de expressar humanidade e emponderamento em meio à tanto sofrimento causado à mulheres e homens negros, pelas mãos brancas.

Bento, por sua vez, é um personagem que apresenta-se sutil, porém igualmente forte. Sua inteligência e astúcia se mostra clara na descrição do personagem e também nas suas afirmações diante do sofrimento ao qual foi submetido.

O amor que entre eles floresce desperta a inveja e cobiça de Simão, o capataz. A partir disso, nos deparamos com a crueldade humana, nos fazendo enxergar as “trevas” que todos carregamos dentro de nós.

Além da história de amor dos personagens, o livro proporciona aprendizado sobre a cultura brasileira, retrocedendo à história do País, marcado pela escravidão, nos fazendo enxergar o quanto os negros escravizados foram responsáveis pela construção e crescimento do Brasil. Ao mesmo tempo, nos apresenta a cultura africana, através dos dialetos yorubás explicados no contexto da história, os Orixás e como a espiritualidade se funde à nossa cultura até hoje.

Recomendo essa leitura tanto pelo conhecimento proporcionado, nos ajudando a compreender nossa religião em vários aspectos, mas principalmente pela reflexão que nos trás, das consequências dos nossos atos e decisões, que pode e deve sim atravessar gerações e encarnações.

E já estou aguardando a continuação 🙂

 

 

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Eu sou a Anne

Umbandista há quase 15 anos, compartilho aqui nesse blog tudo o que eu aprendo na Umbanda, seja com as experiências na religião, seja através das leituras e estudos a que me dedico.

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