Há alguns meses eu publiquei na página Umbanda Saber, do Facebook, uma reflexão a respeito do quanto nossas atitudes fora do terreiro impactam diretamente na imagem que pessoas (especialmente não adeptos) tem da sua religião. (clica aqui para ler o texto na íntegra).
Ultimamente tenho visitado terreiros com o objetivo de conhecer e, especialmente, abrir minha mente para o que a Umbanda é realmente. Sempre tive contato com a Umbanda Sagrada, então conhecer outras vertentes está me possibilitando, conhecer não somente outras práticas dentro da Umbanda, como também encontrar a essência dela (pelo menos é isso o que tenho buscado).
Entretanto, ao tirar o deslumbre pelo axé e pelos guias, tenho observado também comportamentos dos quais refletem negativamente a religião. Eu sei e entendo que todos nós estamos em um ponto da evolução em que cada um compreende diferentemente cada ação e pensamento, mas as coisas são o que são independente do equilíbrio e evolução. E, gostaria de numerar essas situações e também discuti-las um pouco a respeito.
- É impressionante o quanto você descobre sobre a vida pessoal (ou profissional, ou espiritual etc) dos médiuns do terreiro. Basta você se sentar próximo às rodas de pessoas, antes ou no intervalo da gira, conversando e logo você descobre que fulano ficou com ciclano, que beltrano está devendo XX dinheiros para fulano, e por aí vai. Isso quando essas pessoas não estão julgando também essas situações, inserindo adjetivos que desqualificam essas pessoas. Esse comportamento, além de influenciar na energia e no desenvolvimento do trabalho mediúnico, também afeta aos consulentes que observam. Essas pessoas passam a ter uma opinião negativa a respeito do trabalho, da corrente e do terreiro e podem também baixar sua vibração, se de alguma forma, se sentirem afetados pelos comentários. Vale refletir também, que tipo de energia uma pessoa pode transmitir para outra, se esta profere palavras e tem ações negativas para com seus irmãos de fé?
- Imagine a situação: em um determinado momento do trabalho onde os médiuns não podem incorporar, um deles está visivelmente sentindo uma vibração muito forte e está se esforçando para não incorporar. Os capitães, muito atentos ao trabalho observam a situação e percebem que o médium está com dificuldades em segurar a vibração. O que vocês acham que eles deveriam fazer? Ir até o médium para conversar e tentar entender o que está acontecendo, ou, discutirem entre si e criticarem o médium, no meio do terreiro, na frente de todos? É, pois é. Me deparei com essa situação algumas vezes em um mesmo terreiro, onde os capitães ao invés de conversarem com o médium ou com o dirigente, ficaram apenas discutindo entre eles a postura do médium. Agora, vamos refletir, de que forma ajuda o médium e transparece cuidado e atenção? Conversar com o rapaz, levá-lo ao dirigente e tentar ajudá-lo nos faria entender que aquele terreiro se preocupa com sua corrente e toma cuidado com as pessoas que dela fazem parte. Será que com um consulente eles vão agir da mesma forma, criticando-o pelas costas, ou vão ajudá-lo, aconselhá-lo e deixar que seus guias façam o trabalho de ajuda? Não é contraditório que um médium trate mal um irmão de corrente, mas que haja com compreensão com um consulente?
- Pessoalmente, eu acredito que palavrões devem ficar fora do terreiro, e que agressões físicas devem ficar fora da vida mesmo! Acho inadmissível quando alguém (incorporado ou não) xinga ou ofende, fala palavrões ou age agressivamente com os demais do terreiro. Já me deparei com situações onde um médium incorporado, que não conseguia controlar o próprio corpo, foi impelido por outros médiuns de forma agressiva e fisicamente, deferindo tapas apenas para “colocar o médium em seu lugar”. Inadimíssivel!
- Também acho chato quando você escuta médiuns comentando entre si sobre as consultas. Quando uma pessoa busca por um terreiro, ela quer ajuda. Nunca é para “passear”. É porque está com um problema e acredita que ali, naquelas pessoas, pode confiar e, de fato, se entrega. Para mim, soa como uma traição: te conto meus segredos e você os divulga com outras pessoas. Apenas não faça isso!
Enfim, em minhas descobertas dos últimos anos, estes foram os pontos que mais me incomodaram nos terreiros que visitei. Ficou como um excelente aprendizado pessoal, me vigiar e tomar cuidado com minhas atitudes dentro do terreiro (e em todos os âmbitos da vida).



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