Primeiro vamos entender o preceito…
O preceito na Umbanda significa abrir mão, abster-se de algo, e um tipo de resguardo, preparo, recolhimento físico, espiritual, mental, para um relacionamento mais profundo e intenso com os guias e orixás.
O mais comum no preceito umbandista (e que adotamos no 7 Estrelas, terreiro do qual faço parte) é:
– 24h antes da gira abster-se de carne, bebidas alcóolicas e práticas sexuais
– No dia da gira fazer banho de ervas, firmar anjo da guarda, firmar a direita e a esquerda.
E, o que eu considero o mais desafiador: manter o pensamento e as vibrações elevadas.
O dia que não segui o preceito
Quero contar um relato pessoal para vocês sobre esse último ponto:
Nós sabemos que o preceito nos ajuda a sutilizar nosso campo vibratório permitindo uma conexão mediúnica com maior afinidade, e portanto, uma incorporação com mais qualidade. Mesmo que o médium não incorpore, o preceito o ajudará a sentir-se mais conectado com a sua espiritualidade e com a egrégora da nossa casa.
Normalmente eu consigo seguir o preceito direitinho, e nos últimos meses tenho conseguido reservar 1h antes do trabalho para rezar, meditar e já entrar em sintonia com a espiritualidade. Mas como tudo na vida real, nem sempre isso é possível e em alguns dias isso se torna ainda mais desafiador.
As giras no terreiro que participo ocorrem sempre às terças-feiras, então a partir de segunda eu já inicio meu preceito. Ocorre que nas últimas semanas venho enfrentando situações no meu trabalho e em casa que têm prejudicado meu estado mental. Tenho ficado muito estressada e nervosa com algumas coisas.
E não foi diferente na semana passada. Com um problema complexo para resolver no trabalho, passei a segunda e o dia de terça muito estressada e irritada com uma tarefa que eu precisava concluir. Resultado: fiz meu preceito, firmei minhas velas, tomei o banho de descarrego, mas ao chegar no terreiro não consegui me sintonizar.
Mesmo eu “firmando a cabeça” e buscando me conectar com os Guias e com a espiritualidade durante o ritual de abertura, parecia que eu não estava no terreiro, sabe? A sensação que eu tinha é que meu corpo estava lá, mas eu mesma ainda não tinha nem saido de casa.
E assim foi durante boa parte do trabalho espiritual: me concentrar era uma tarefa árdua, as incorporações foram mais “difíceis” de acontecerem e sustentá-las então, nem se fala. Sinto como se eu tivesse que aplicar muito mais esforço e energia do que normalmente ocorre.
Enfim, no final do trabalho eu já estava melhor e mais conectada, mas foram precisas, no mínimo, duas horas para que eu estivesse pronta, de fato, para aquele trabalho.
Tive uma outra experiência com o preceito alimentar de carne. Visitei uma amiga certa vez com o objetivo de defumar a casa dela, fazer o Portal de Obaluayê e ajudá-la com essas energias em sua casa. Meu dirigente e seu Exu já sabiam e tinham me orientado a realizar o portal, então tudo certo né?
Porém ao chegarmos na casa dela, minha amiga me esperava com um almoço quentinho: arroz, batata palha e strogonoff. E naquele momento eu simplesmente esqueci do objetivo da minha visita, me servi, me alimentei e saciei minha fome com uma deliciosa comida… com carne vermelha.
E vou dizer, não existe orientação de preceito para realizar o Portal, mas o bom senso é sempre bem vindo né? Eu sabia que as energias na casa dela estavam muito densas e isso, por si só, já deveria ter sido motivo para eu me preparar melhor.
Resultado: foi um trabalho realmente muito tenso e “pesado”, mesmo tomando banho de mar após o término do ritual, eu me senti extremamente cansada. No dia seguinte não consegui sair da cama, não tinha “forças” e minha digestão estava muito comprometida, tive que tomar chá de erva doce para tirar o “peso” do meu estômago.
Um dos motivos de não comer carne no preceito é justamente o processo de digestão e metabolismo do alimento pelo nosso corpo. O sistema digestório precisa de muita energia para processar alimentos pesados como carne ou ricos em gordura. E isso influencia diretamente no funcionamento dos nossos chakras que doam energia para o nosso corpo na mesma medida que absorvem. Logo, quando eu não faço o preceito da carne, meu corpo e meus chakras se dedicam à digeri-la e torna menos funcional e menos disponível o meu campo magnético e energético, dificultando a conexão espiritual. Incrível como tudo funciona né?
Então fica aqui minha reflexão sobre o preceito. Às vezes não damos a importância devida às orientações e aos fundamentos tão antigos e tradicionais de nossa religião, e penso que toda experiência é válida, inclusive para legitimar.
É preciso realmente se dedicar, se entregar ao que a espiritualidade nos pede para o preparo para o trabalho espiritual, e seguindo os preceitos básicos já temos um bom começo.
No próximo post sobre esse assunto quero trazer uma nova provocação: do que nós estamos dispostos a abrir mão pela Umbanda?
Obs: para quem tem dúvidas sobre como fazer banho de descarrego, clique aqui e leia meu post sobre 5 passos para o banho de descarrego.


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