Era uma vez uma casa linda e iluminada. Muitos trabalhadores atuavam nela com dedicação, carinho e empenho exemplares e apesar das inúmeras dificuldades, a casa crescia e se fortalecia ainda mais. Muitos faziam parte dessa casa, homens, mulheres, animais, Exus, Pombas Gira, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Caboclos, Pretos Velhos, Erês, Povo da Bahia, Ciganos, Povo do Oriente… enfim, inúmeros eram os seus trabalhadores que incansavelmente lutavam contra o mal.
Seus filhos, a família encarnada, eram muito dedicados também. Cuidavam para que a casa mantivesse sempre em ordem, limpa e arrumada, enquanto uns perfumavam, outros faziam um café para os irmãos que chegavam cansados do trabalho e se preparavam para a gira. Alguns davam atenção à consulência, que chegavam com tantas dúvidas, tantas dores e tantos sofrimentos que precisavam de uma atenção para entrarem em sintonia com os trabalhos espirituais que ali aconteceriam a seguir.
Aqueles que não estavam ajudando com os preparativos para a gira, estavam ou estudando ou disseminando algum aprendizado sobre a espiritualidade.
E assim se formava uma corrente: forte e unida. Ninguém era capaz de abalar a segurança daquela casa, pois dos dois lados, do espiritual e do material, ambos trabalhavam para um mesmo objetivo: a Umbanda, uma religião que busca trazer aos seus filhos e aos que procuram por ela paz, equilíbrio e espiritualidade.
Lógico que ali ninguém era perfeito, mas todos tinham ciência da necessidade de fazer a mudança íntima e buscavam em si melhorar os “pontos negativos”.
Entretanto, do lado de fora, muitos queriam ver a casa ruir, afinal o auxílio que esses prestavam aos irmãos necessitados muito incomodava àqueles que não desejavam a paz. Muitas foram as tentativas de derrubar a casa, primeiro tentaram contra os Guias de Luz, vendo que não conseguiriam tamanho a sua força, tentaram contra o dirigente espiritual da casa, conhecido também como “pai-de-santo”, que por diversas vezes o atacaram, sempre mirando em suas fragilidades. Porém, esse homem estava sempre muito bem protegido de seus guardiões e dos seus Guias de Luz que o instruía no trabalho do bem. Porém, aqueles que querem destruir algo grandioso não desistem tão facilmente. Então perceberam uma fraqueza na casa: a corrente mediúnica. Identificaram alguns irmãos vibrando negativamente contra os outros irmãos, assistiram a alguns comentando e fofocando sobre outros irmãos de fé, e foi nesse momento em que os “nossos vilões” perceberam que esta era a oportunidade de desequilibrar a corrente e consequentemente fazer acabar esse trabalho maravilhoso de ajuda aos necessitados e acorrentados aos seus sofrimentos.
Sem descanso algum, começaram a atuar em seus mentais, não faziam nenhum trabalho grandioso, apenas estimulavam a crescer a semente que os próprios atingidos alimentavam. E esses vilões “atacavam” cada vez mais, pois para cada filho de fé que se voltasse contra um irmão por meio de fofocas e intrigas, era um elo desestabilizado na corrente, para cada filho que saísse da casa, era um elo a menos, até que eles conseguissem frear definitivamente a atuação dessa casa no espiritual.
Os Guias perceberam o ataque e tentaram alertar seus “cavalos”. Muitos foram os esforços das Entidades para que os médiuns percebessem o erro que estavam cometendo. Ainda assim, os sentimentos negativos alimentados dentro de si, dentro de cada um, começavam a criar raízes. Os Guias nada podiam fazer, então, uma vez que jamais interfeririam no livre arbítrio de um ser humano, apenas rezaram e pediram ao Pai e aos Sagrados Orixás que iluminassem o mental dos seus filhos e que estes tivessem discernimento dos seus atos e das consequências dos seus erros.
Ninguém sabia onde começava ou onde terminava a intriga, mas sabiam a quem elas atingiam, e perceberam com muito atraso que todos, sem exceção, eram “vítimas” do veneno das palavras, até mesmo aqueles que proferiam as fofocas acabaram sendo pegos por elas. E um a um voltaram, aos poucos, à luz novamente. Perceberam o mal que estavam fazendo contra eles mesmos, contra aqueles que procuravam a casa apenas para receber uma ajuda, num grito de desespero, e perceberam finalmente que não se faz com o próximo o que não se quer para si mesmo.
Os Guias de Luz comemoravam o crescimento interno que cada filho obteve após o “episódio” e os seres das trevas que atuavam contra a casa recuaram, percebendo que haviam perdido mais uma batalha. Mas se engana aquele que pensa que o “mal” desistiria, pois a luz alcança a todos e muitos se beneficiam dela, muitos são salvos por ela, porém muitos se sentem incomodados por ela. Essa mesma luz que salvará um dia aquele que hoje luta contra ela.
Que possamos ser mais compreensíveis diante dos erros dos nossos irmãos, e principalmente com os nossos. Que possamos aprender a amar, a respeitar e a vivenciar “na prática” os ensinamentos de nossos Guias de Luz e das irradiações das qualidades divinas dos nossos amados Orixás.
Saravá!!!
*O texto foi fruto de uma “inspiração”. Não sabia se devia publicar ou não, mas tenho certeza de que ele não foi escrito por acaso.



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