Eu ouvi essa frase recentemente e consegui refletir sobre isso por duas perspectivas: as firmezas e orações constantes que o médium de Umbanda deve fazer e o quanto nós, enquanto templos vivos de Deus, da divina Mãe Natureza e dos Pais e Mães Orixás também devemos carregar em nós essa chama acesa.
Vou começar descrevendo um pouco sobre a importância de manter as velas acesas, seja no altar pessoal em casa, seja na firmeza de esquerda do lado de fora de nossa casa, seja nas oferendas e firmezas que fazemos nos pontos de força da Natureza.
Aqui em casa mantenho em meu altar pessoal uma firmeza para o anjo da guarda com uma vela de 7 dias, uma quartinha branca com água e um cristal e, volta e meia, acendo um incenso ou adiciono ervas. Todas as terças eu tenho gira no terreiro, então é neste dia que eu renovo essa firmeza, pendindo benção e proteção para mim no dia-a-dia e nos trabalhos espirituais.
De uns tempos para cá adicionei firmezas para os Guias: o objetivo é me aproximar das Entidades, estreitar nosso relacionamento e, através dessas firmezas, me colocar mais próxima dos Caboclos, Pretos Velhos, Erês… e trazendo-os para mais próximo de mim, do meu dia-a-dia. No terreiro, Pai Pena Dourada nos diz para incorporarmos os valores das entidades, e com essa firmeza, eu quero olhar o mundo através dos olhos dos Guias, enxergas as pessoas como Eles enxergam, enfrentar meus problemas com os conselhos deles, ter força, benção e proteção para seguir meus caminhos.
Nos últimos anos passei por muitas mudanças pessoais, tive momentos muito difíceis e sentimentos muito desafiadores. No começo desse ano fiz uma firmeza para Pai Oxóssi no dia em que fizemos o Amaci na força desse Pai Orixá em um Trabalho de Mata. E posso dizer que foi como se uma chave tivesse mudado em minha vida. Meus sentimentos conflituosos deram espaço para mais força, mais certezas, mais confiança e mais fé. Me senti tão mais fortalecida que, mesmo diante dos problemas, agora eu me sentia mais forte para entendê-los, aprender com eles e superá-los.
Bom, tudo isso para dizer que acender essas velas, fazer essas firmezas com elementos e manter constância afastou de mim a escuridão da insegurança, da comparação, do medo, da tristeza, da revolta. É claro que esses sentimentos ainda habitam em mim e faço terapia com psicólogo para me ajudar a compreendê-los em mim, mas sem dúvidas com tanta luz acesa, essa luz também alcançou esses “lugares obscuros” e trouxe mais sentido e propósito em minha vida.
Isso me leva diretamente para o segundo tópico e é tão bonito ver como estão relacionados. Como a Umbanda e a Espiritualidade que nos acompanha, de como eles nos dotam de conhecimentos e ferramentas para que possamos nos fortalecer, nos proteger, aprender e evoluir. É como se toda essa história aqui contada me trouxesse a esse ponto principal: a luz do meu altar pessoal é a luz que eu carrego dentro de mim. Cada vez que eu acendo uma vela para fazer uma oração, eu alimento a chama da fé, da certeza, da confiança, do amor, da paz, da intuição, da proteção…. enfim, de tudo o que há dentro de mim e que me dá mais firmeza para minha caminhada nesse plano.
Se você chegou ate aqui e ainda não sabe se deve ou não acender vela dentro de casa, se permita olhar para dentro de você: onde há lugar aí dentro do seu coração ou da sua mente que precisa de luz? E então, firme sua vela, faça suas orações e agradeça, pois neste momento, pode ter certeza, seus Guias e seus Guardiões já estão aí, te amparando, te protegendo e te guiando para superar suas dificuldades e evoluir a partir de si mesmo.
Saravá! Axé! Mojubá!


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