Ser médium em um terreiro de Umbanda é estar ativo o tempo todo durante uma gira.
A incorporação, apesar de ser um mecanismo mediunico essencial dos trabalhos espirituais, não é a única forma de uma médium trabalhar em uma gira.
Cambonar, por exemplo, é fazer parte do trabalho do Guia Espiritual. É aprender as mirongas, é a oportunidade de receber um conselho (que direcionado para o consulente também lhe cabe), é autoconhecimento… aprendizado contínuo e desenvolvimento mediunico na prática de Cambonar.
Firmar a cabeça também é trabalhar. Quando se está em uma corrente mediúnica deve estar com os pensamentos elevados e com a atenção plena no que está acontecendo no terreiro. É doar ectoplasma para ajudar a sustentar o trabalho dos Guias Espirituais e a proteção da gira.
Além disso, aprende-se muito observando, e o desenvolvimento mediunico acontece quando se compreende o trabalho como um todo e em sua profundidade.
Cantar pontos é uma forma de oração. Cantar os pontos com firmeza e de coração é fazer parte da chamada dos Guias Espirituais, é chamar para si o axé dos Orixás, é comungar da energia emanada pela Curimba do Terreiro.
Portanto, não se engane em pensar que só se trabalha ou só se desenvolve a mediunidade se estiver incorporação.
O desenvolvimento mediunico também vem da disciplina, do comprometimento, da paciência, da reforma íntima, de ouvir mais do que falar, de cantar rezando e rezar cantando, de limpar a tábua do médium que cambona no final do trabalho, de bater cabeça…
A gira está em tudo o que se faz nela.
Um bom médium é aquele que escolhe a religião porque entende que ela é um meio de conexão, uma forma de buscar pelo aprimoramento pessoal e espiritual. É um meio de melhorar a si mesmo, de se encontrar com seus ancestrais, de receber amparo e orientações dos Guias Espirituais.
E é também se colocar no lugar de aprendiz o tempo todo. Eu costumo dizer que quanto mais eu aprendo sobre a Umbanda, menos eu sei. Ouvir aos mais velhos traz muito valor da paciência, da sabedoria e da esperteza. Aprender com os mais novos, com suas curiosidades e anseios também traz muito conhecimento, especialmente sobre nós mesmos.
Há muito o que se aprender. É preciso dobrar o joelho no chão e, antes de bater cabeça ao Orixá, pedir para ser bom ouvinte e bom aprendiz.
A Umbanda exige comprometimento. E comprometer-se é algo profundo e individual. Não depende do outro para que você faça.
Comprometimento, disciplina, coração puro e disponibilidade. Alguns valores que eu acredito que nos faz ser melhores para nós e para os Guias Espirituais poderem trabalhar bem. E aí sim, depois disso, incorporar… para incorporar os valores dos nossos irmãos espirituais 🙂
Axé.


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